MEDITE:
Devemos sempre analisar o Texto por completo e não isoladamente, pois muitos assim estão fazendo, utilizando-se disso para enganar os Fiéis. CUIDADO. - Presbítero Eduardo Brito (Vosso Conservo em Cristo Jesus).
Devemos sempre analisar o Texto por completo e não isoladamente, pois muitos assim estão fazendo, utilizando-se disso para enganar os Fiéis. CUIDADO. - Presbítero Eduardo Brito (Vosso Conservo em Cristo Jesus).
"Será que Tudo posso naquele que me fortalece" - Filipenses 4:13 de Dennis Downing
Será que o Cristão pode fazer de tudo? Será que temos, por meio de
Cristo, poder para realizar qualquer feito? O que é que Paulo quis dizer
com esta declaração ousada?
O contexto imediato
Esta passagem tem sido entendida por muitos Cristãos como uma afirmação
geral de que realmente “tudo” podemos fazer. Como sempre é necessário
observar o contexto da passagem. O contexto imediato (Fil 4:10-20)
indica que Paulo está tratando de necessidades pessoais. Podemos ver
isso quando ele usa frases e termos como “pobreza” (v. 11) “fartura e
fome”; “abundância e escassez” (v. 12); “dar e receber” (v. 15) e
“necessidades” (vv. 16 e 19). Todas estas palavras e frases tratam de
necessidades físicas e imediatas como comida e moradia. Ele pessoalmente
passou por necessidades nestas áreas e está mostrando como Cristo lhe
deu força para enfrentá-las.
Paulo poderia, de repente, sair deste contexto para formalizar uma
afirmação sobre todas as necessidades em geral. Ou, como alguns entendem
pela frase isolada, ele poderia dizer que, por meio de Cristo, consegue
realizar de tudo. No entanto, para fazer isso, seria esperado que Paulo
desse algum sinal de tal mudança. A ausência de uma sinalização não
impede de forma categórica esta possibilidade. Mas, sendo que o contexto
imediato é satisfatório, e que não há evidência clara dele ter
intencionado uma afirmação mais geral, devemos concluir que o ponto dele
neste versículo é de que, dentro das necessidades pessoais (embora
estas necessidades sejam enormes), com Cristo, ele terá tudo que precisa
para lidar com elas.
Como Paulo usava “tudo”
Ajuda-nos a entender que Paulo, como autores e oradores modernos, às
vezes usava o adjetivo “tudo” (gr. panta de pas) para se referir à maior
parte ou à maioria de uma categoria, sem necessariamente se referir a
algo em sua totalidade. [1]
Podemos ver este tipo de uso em passagens como 1 Cor. 9:22 “...Fiz-me
tudo para com todos, com o fim de, por todos os modos, salvar alguns.”
Paulo não quis dizer que havia se tornado absolutamente tudo para com
toda a humanidade. O ponto dele foi de que ele se esforçou, negando seus
próprios interesses e tendências, para influenciar todos aqueles com
quem ele teve contato e oportunidade.
De forma parecida, em Colossenses 1:28 Paulo afirmou “o qual nós
anunciamos, advertindo a todo homem e ensinando a todo homem em toda a
sabedoria, a fim de que apresentemos todo homem perfeito em Cristo”.
Aqui Paulo não quis dizer que ensinava literalmente todos os homens
existentes, nem que aquilo que ele ensinava fosse toda a sabedoria
existente. O ponto dele, novamente, se restringia àqueles dentro do seu
raio de alcance e à sabedoria necessária e suficiente para a plena vida
em Cristo.
Da mesma forma, em Fil 2:21, ao dizer “pois todos eles buscam o que é
seu próprio, não o que é de Cristo Jesus.” Paulo não estava se referindo
à totalidade da raça humana, nem a todos da cidade de Roma, onde ele se
encontrava (Fil 1:13). Ele estava se referindo a muitos outros que não
se preocupavam com seus interesses da forma como Timóteo havia feito.
Mas, presumimos que Paulo contaria entre aqueles em quem confiava
pessoas como Epafrodito (4:18) e os da casa de César (4:22). Portanto,
ele não estava relegando nem a raça como um todo, nem toda a população
de Roma ao grupo dos que “buscam o que é seu próprio, não o que é de
Cristo Jesus.” Ele quis dizer que muitos eram assim, porém Timóteo era
diferente.
De igual modo, ao dizer em Fil 4:13 “Tudo posso naquele que me
fortalece”, Paulo não quis dizer “tudo” num sentido absoluto. O que ele
quis dizer era que, de todas as coisas que havia passado que
necessitavam de poder para enfrentar, como pobreza, fome, escassez e
necessidades, Cristo supria toda esta força que ele precisava. É neste
sentido que Paulo escreveu “Tudo posso naquele que me fortalece”. Pelo
que já havia passado, Paulo tinha confiança, e quis passar esta mesma
confiança aos Cristãos em Filipos, de que Cristo havia de suprir toda a
força que eles precisavam, seja qual fosse a situação. É por isso que
ele encoraja os Cristãos em Filipos com as palavras “E o meu Deus,
segundo a sua riqueza em glória, há de suprir, em Cristo Jesus, cada uma
de vossas necessidades” (4:19).
O foco da passagem
Embora muitas traduções modernas como a NVI, ARA e BJ traduzam o verso
praticamente igual como “tudo posso naquele que me fortalece”, aqui a
NTLH traz uma tradução bastante interessante “Com a força que Cristo me
dá, posso enfrentar qualquer situação”. Esta tradução é salutar, pois
coloca a ênfase em Cristo e demonstra que o objetivo não é as conquistas
do homem e sim sua capacitação para, com Cristo, enfrentar as
situações, tão adversas quanto forem, que a vida traz.
É um eqúivoco pensar que o ponto de Paulo é que, com Cristo, ele pode
alcancar grandes realizações ou conquistas. Paulo, embora falando das
coisas que fazia por conta própria, já descartou a imporância das
grandes realizações pessoais. Em 3:4-8 Paulo relembrou suas grandes
conquistas em nome do zelo religioso. Daí, ele mostrou como o simples
conhecer e comunhão com Cristo eram muito superior a todas as suas
conquistas (3:8,10). Dificilmente Paulo agora estaria chamando a atenção
dos Cristãos em Filipos para a idéia de realizar grandes coisas, mesmo
com Cristo. O ponto de Paulo é de assegurar estes irmãos de que, na
abundância ou na adversidade, Cristo os faria fortes o suficiente para
lidar com qualquer situação, permanecendo fiéis a Ele.
Perigo de interpretação
Existe pelo menos um perigo de uma interpretação demasiadamente genérica
deste versículo. Crentes podem ficar frustrados ou duvidando das
promessas de Deus se tentarem coisas que consideram dentro da vontade de
Deus, mas falharem. “Cristãos frequentemente anunciam, ‘Tudo posso
naquele que me fortalece’, para assegurar a outros (e a eles mesmos) que
podem ser bem sucedidos em empreendimentos para os quais eles podem ou
não ser qualificados. Fracasso subsequente os deixa transtornados com
Deus como se ele tivesse quebrado uma promessa!” [2]
Se “tudo posso naquele que me fortalece” significa que posso realizar
qualquer obra ou feito, desde que seja algo que Deus teoricamente ia
querer, então haverá muita frustração, pois nem sempre Deus de fato faz
tudo que pode. Deus podia ter evitado que Cristo morresse na cruz (Mat
26:53). Certamente Ele não queria que Cristo tivesse que morrer na cruz.
Mas, por causa do grande amor dEle por nós (outro aspecto da sua
soberana vontade), Ele permitiu. Se nem Deus sempre faz tudo que pode e
tudo que quer, podemos concluir que nem tampouco o homem fará, ou que
Deus o fará por meio dele.
A Paulo, um homem de fé sincera e poderosa, foi negado algo bom e
desejável que pediu ao Senhor – uma cura. Em 2 Coríntios 12:8-9 vimos
que, apesar de toda sua fé e amor ao Senhor, Paulo não recebeu o que
queria. Tudo posso naquele que me fortalece? Sim, se for da vontade de
Deus.
Paulo tinha o dom de curar e curou muitas pessoas, chegando a curar
todos numa ilha inteira (Atos 28:7-9). Mas, houve ocasião em que Paulo
não pôde curar um discípulo próximo a ele, Trófimo (2 Tim 4:20). Tudo
posso naquele que me fortalece? Sim, dentro dos limites que Deus
estabelece e permite. Haverá ocasiões em que vamos querer fazer coisas
boas, até coisas para Deus, mas não conseguiremos, porque não era a
vontade de Deus naquele momento, ou naquela situação, ou com aquela
pessoa.
A respeito desta passagem D.A. Carson alerta:
- Uma antiga preferência é Filipenses 4.13: "... tudo posso naquele que
me fortalece". O "tudo" não pode ser completamente ilimitado (e. g.,
saltar sobre a lua, resolver "de cabeça" complexas equações matemáticas
ou transformar areia em ouro); portanto, a passagem geralmente é exposta
como um texto que promete aos crentes a força de Cristo em tudo o que
eles têm a fazer ou em tudo o que Deus lhes ordena que façam. Sem
dúvida, este é um conceito bíblico; contudo, no que se refere a esse
versículo, dá-se pouca atenção ao contexto. O "tudo" aqui consiste em
viver alegre em meio a fartura ou fome, em abundância ou escassez (Fp
4.10-12). Seja qual for sua situação, Paulo pode lutar com alegria por
meio de Cristo, que o fortalece. [3]
Concluímos que o ponto de Paulo em Filipenses 4:13 quanto àquilo que ele
pode fazer se refere à força para enfrentar situações que a vida traz a
ele, especificamente no sentido de necessidades pessoais. Mas a ênfase
não está nele só, e sim nAquele que lhe dá esta força – Cristo Jesus. O
versículo pode ser dividido em duas partes “tudo posso” e “naquele que
me fortalece”. O mundo declara com orgulho e confiança “tudo posso” e
pronto. O Cristão corrige, com humildade temperada pela fé em Jesus “Sei
que enfrentarei muitas dificuldades nesta vida, e que sozinho seria
derrubado, mas, ‘Com a força que Cristo me dá, posso enfrentar qualquer
situação’.”
Hoje em dia os Cristãos ainda enfrentam as incertezas do desemprego, o
medo da violência e da doença. É preciso assegurá-los de que, com
Cristo, podemos lidar com qualquer situação, não importa quão adversa
for. Podemos confiar em Deus de que Ele nos dará a força que precisamos.
Basta caminharmos junto a Jesus.
E o “tudo” que podemos fazer?
Alguns ainda querem saber, "o homem pode fazer tudo o que ele precisa
fazer?" Até isso, na verdade, é relativo. O homem às vezes pensa que
precisa fazer algo, tenta fazer e se frustra quando não consegue. Ele
declara que Deus não existe, ou reclama que Deus não ouviu suas orações.
Mas, Deus muitas vezes sabe que há uma grande diferença entre o que o
homem pensa que precisa e o que ele realmente precisa. Quando era jovem
namorei uma moça e pensei que precisava casar com ela. Não deu certo.
Acabei esperando até quase 40 anos de idade para casar. Hoje, sei que
Deus me deu, graças à sua vontade que é sempre melhor, a esposa que eu
realmente precisava.
Dentro da vontade soberana (e para nós muitas vezes misteriosa) de Deus,
sim, diria que o homem pode fazer o que precisa. Mas, esse fazer nem
sempre será o que ele quer. Prova disso é que há muita coisa que, além
de poder fazer, devíamos fazer, mas nem sempre fazemos.
Talvez a grande questão não é se Deus me capacita para fazer tudo que
preciso. Dentro da soberana vontade dEle, Ele sempre capacita. O
problema é que eu nem sempre quero fazer tudo para o qual Ele me
capacitou. Talvez para Deus parece que queremos saber se podemos fazer
de tudo, quando tão pouco fazemos com o “tudo” que já podemos. Que Deus
nos ajude a, como Paulo, nos contentarmos não só com aquilo que Ele nos
deu, mas com aquilo que Ele nos capacitou a fazer, e esmeremo-nos ao
fazê-lo.
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